O rosto jovem da Sociedade São Vicente de Paulo

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Contribuição dos jovens vicentinos

para a atualização e expansão da

Sociedade de São Vicente de Paulo no Brasil

sábado, 19 de outubro de 2013

SSVP

A história social do protestantismo brasileiro é contada por especialistas, antropólogos e sociólogos da religião. Porém, dada à abordagem individualista, particular, própria das nossas denominações, no mais das vezes, se conta essa história a partir de um ponto de vista defensivo, ou ufanista, comprometendo a verdade sobre personagens, dentro das igrejas evangélicas, que jamais abdicaram de suas responsabilidades cidadãs. No princípio, contaminado por esse bacilo corporativista, destaquei Jaime Wright como divisor de águas no protestantismo. Muito pouco para um vulto de tal grandeza ecumênica.
A sociedade brasileira habituada aos regimes ditatoriais civis e militares apoiava a ditadura. Igrejas evitavam o envolvimento do CMI, sediado em Genebra, Suíça, acusado de apoiar conspirações contra o regime.
Temos apresentado o pastor brasileiro Jaime Wright à parte da “cobertura” evangélica conservadora e anti-ecumênica. Ele sempre esteve ao lado de outros brasileiros cristãos, eclesiásticos, com o reverendo presbiteriano Charles Roy Harper, e os Arcebispos Paulo Evaristo Arns e Hélder Câmara. Símbolos da resistência sem submissão.
Jaime Wright começou a procurar pelo irmão, presbítero da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) de Florianópolis, SC, Paulo Stuart Wright – o deputado fora cassado, sequestrado e morto pela ditadura militar. Aproximando-se de presos políticos, participou do projeto Clamor, que defendeu perseguidos políticos no Brasil e países da América Latina, com financiamento ecumênico intermediado diretamente pelo CMI. Ajudou a reunir os documentos que deram origem ao relatório “Brasil: Nunca Mais”, que revelou a extensão da repressão política no Brasil, identificando e denunciando os torturadores do regime militar, bem como desvelando as perseguições, os assassinatos, os desaparecimentos e as torturas em lugares secretos; revelando atos praticados nas delegacias, unidades militares e locais clandestinos mantidos pelo aparelho repressivo no Brasil. Jaime Wright – assim como o CMI – também era denunciado a organismos evangélicos no exterior como “persona non grata” às igrejas evangélicas brasileiras. Estas publicavam o apoio aos ditadores nos jornais eclesiásticos e cediam seus púlpitos. E até exaltavam as "qualidades cristãs" de alguns desses ditadores.

Quanto ao Vaticano, chamamos a atenção para a história e a verdade. Uma contundente “denúncia sobre o insidioso papel desestabilizador do CMI” partiu do cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano. Em uma entrevista (Folha de S. Paulo, 10/jun/1997), ele afirmou: “Grande parte dos bispos católicos da América Latina lamentam comigo o fato de que o Conselho Ecumênico de Igrejas tem dado grande ajuda a movimentos de subversão". Condenação pública que Jaime Wright recebeu ainda em vida, enquanto residente com sua família a dois quarteirões de uma igreja presbiteriana, em Vitória, ES.
No livro biográfico destaquei as declarações elegantes do Rev. Charles Roy Harper (responsável pela repatriação dos documentos referentes à perseguição política na ditadura), em evidente deferência aos católicos Paulo Evaristo Arns e Helder Câmara, os quais reconheciam e recorriam ao CMI, atendidos em extraordinário espírito ecumênico. Mas nenhum setor internacional da Igreja Católica participou moral e financeiramente da ajuda aos perseguidos, nem protegeu refugiados das ditaduras, desde a América Central e Caribe, ao Cone Sul. O CMI arcou com todos os custos dos projetos “Brasil: Nunca Mais” e Clamor. A exceção é o Cardeal Paulo Evaristo Arns, que abrigou o grupo que constituiu o projeto “Brasil: vicentinando@gmail.com








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